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 Pouca gente tem noção que alguns produtos utilizados diariamente passaram por algum processo de reciclagem. O comum entre o conduíte que protege a fiação elétrica e o saco plástico hospitalar é a matéria-prima utilizada para a confecção de ambos. A origem desses produtos são embalagens vazias de agrotóxicos recolhidas das lavouras do país. Mato Grosso se destaca nesse quesito: tanto no desempenho da produção agrícola quanto no retirada dessas embalagens do campo. Entre janeiro e abril deste ano, por exemplo, o estado foi o responsável por recolher 24,5% do total de embalagens de agrotóxicos recicladas no país.

 

O Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev) mostra 2,828 mil toneladas de embalagens foram encaminhadas a uma das 30 centrais de recebimento espalhadas pelo estado. Em todo o Brasil fora recolhidas 11,5 mil toneladas de embalagens no período. Segundo o presidente do Inpev, João Cesar Rando, das embalagens agrotóxicas adquiridas pelos produtores para serem utilizados na produção agrícola mato-grossense, 98% são recicladas ou incineradas. O índice é maior que a média nacional, de 95%.

 

Também são poucas as pessoas que sabem que o reaproveitamento desses materiais não começa no campo. Na verdade, são as empresas que revendem os produtos que iniciam essa cadeia, cujo único objetivo é evitar o desperdício de materiais em benefício ao meio ambiente. A obrigação das revendedoras é destacar na nota fiscal do produto adquirido o local de entrega das embalagens vazias. O descumprimento dessa ação rende multa de 500 UPFs, o equivalente a R$ 17,410 mil. Mas é preciso considerar que o produtor é peça fundamental neste processo. Já que o recolhimento das embalagens do campo é de sua incumbência.

 

A técnica do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea), Sandra Vieira, afirma que o agricultor tem feito a sua parte. Ela explica que a maioria dos produtores sabe como proceder no recolhimento das embalagens. “Em um prazo de até um ano as embalagens devem ser encaminhadas para alguma das centrais. Do contrário serão multados em 300 UPFs (R$ 10 mil). Antes da entrega, o produtor deve lavar o material e a falta dessa ação implica em multa que varia de 200 a 400 UPFs (de R$ 6 mil a R$ 13 mil)”. Conforme ela, no ano passado, as 5.100 fiscalizações realizadas no estado resultaram em 508 notificações e 58 autuações.

 

O produtor Ari Baltazar Langer, de Guarantã do Norte (721 km de Cuiabá), conta que apesar das dificuldades tem procurado agir corretamente. O empecilho é a falta da central de recebimento na região em que mora. Ele conta que precisa andar 160 quilômetros para levar as embalagens vazias até o município de Canarana (838 km da capital). “Por esse motivo, vários produtores se reúnem para diminuir os custos com o transporte”. Para ele, a atitude é válida já que a finalidade dos produtos beneficia o meio ambiente.

 

Do campo para a indústria, a embalagem segue um caminho longo até voltar para o consumidor. A empresa mato-grossense Plastibras é uma das nove espalhadas pelo país que recebe as embalagens de agrotóxicos vazias. O diretor do empreendimento, Adilson Valera, explica que os produtos são transformados em conduítes. “Mais de 90% do material recebido é utilizado”. Ele lembra que outras empresas reciclam as embalagens para terem a mesma utilidade, que é estocar produtos agrotóxicos. Para o empresário, além da conscientização ambiental, a reutilização de materiais é algo mais rentável. “O custo de produção diminui”.

 Fonte: G1/MT Economia – 10/06/2011