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O projeto Pró-Natureza Limpa desenvolvido pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Toledo, vai ultrapassar os portões da instituição. Contratos de transferência/licenciamento de tecnologia foram assinados com empresários do Recife, o que garante a implantação de uma usina de processamento de resíduos sólidos urbanos.

 
Para promover a viabilização do projeto, uma empresa pretende fabricar os reatores desenvolvidos pela universidade, utilizando a tecnologia da rotomoldagem. Já a matéria-prima - resíduos plásticos - será fornecida por uma empresa do Mato Grosso. A previsão é que até o final deste ano a usina já esta em funcionamento.
 
Envolvidas com o projeto estão às empresas Pernambuco Biosolos Ltda - de Recife – Multipet - de Toledo - e Plastibras Indústria e Comércio Ltda de Cuiabá. No desenvolvimento da tecnologia inovadora estiveram docentes e discentes de graduação, mestrado e doutorado dos cursos de Engenharia Química, Química, Ciências Econômicas e Agronomia da Unioeste.
 
Conforme o coordenador do projeto, Camilo Mendoza Morejon, é importante que os resultados dos projetos não fiquem nas prateleiras, mas que sejam aplicados. “Colocando em prática a tecnologia será possível viabilizar de forma mais efetiva a criação de novos modelos de negócios com base no aproveitamento e também na industrialização de resíduos”, afirmou o professor.
 
O estudo de caso que chamou a atenção dos empresários de Recife compreende a um novo modelo de gestão de resíduos sólidos urbanos e a tecnologia correspondente para a industrialização de resíduos domésticos. A pesquisa apontou que do total de resíduos sólidos gerados na área urbana, 69% corresponde aos resíduos orgânicos; 23% aos recicláveis e apenas 8% correspondem aos rejeitos.
 
“Se essa parceria se consolidar, os benefícios com a transferência de tecnologia serão para toda sociedade. Se trata de um equipamento que visa ajudar na conservação do meio ambiente. Uma vez que a proposta é usar resíduos que seriam descartados na natureza - em aterros sanitários - e transformá-los através de um processo de agregação de valor, que no final, se torna um benefício para o meio ambiente”, acrescentou o diretor geral do campus de Toledo da Unioeste, José Dílson Silva de Oliveira.
 
PRIMEIRA USINA
 
Inicialmente a empresa pernambucana está construindo uma usina, no município de Recife, para o processamento de 40 toneladas de resíduos orgânicos domésticos, visando à agregação de valor a este produto. Nessa instalação serão construídos 1,2 mil reatores modulares e 1,2 mil células de evaporação/desidratação solar. Todos os equipamentos serão feitos de plástico. Os investimentos na usina serão de aproximadamente R$3 milhões.
 
 Tecnologia transforma resíduos sólidos em produto de valor agregado 
 
Surgiu em 2002 a ideia de desenvolver um projeto que visa à reciclagem e industrialização de resíduos provenientes de diversas fontes. Desde então, na forma de estudos de caso, uma equipe de professores e acadêmicos passaram a executar trabalhos relacionados com o monitoramento das fontes de geração de resíduos. Com o desenvolvimento das atividades foi possível apurar um método tecnológico para tratamento, reciclagem e, principalmente, para a industrialização de resíduos provenientes de diversas fontes.
 
O projeto demonstrou que a geração de resíduos e o próprio resíduo não podem ser considerados como problemas e sim fontes de oportunidades para a criação de novos modelos de negócios. De acordo com o coordenador do projeto, Camilo Mendoza Morejon, “o lixo não é problema; o lixo pode ser solução dos problemas”.
 
A aplicabilidade das atividades da usina de processamento de resíduos sólidos urbanos consiste em transformar os restos orgânicos em produto de valor agregado. “Depois de separado, o resíduo passa pelo processo de transformação e pode se tornar produto gasoso, líquido e sólido. O produto gasoso consiste em uma mistura de gases chamada de biogás. Já o produto sólido é conhecido como biofertilizante, ou adubo orgânico, e a forma líquida também por finalidade a fertilização do solo”, explicou o coordenador. Também está em desenvolvimento a complementação e transformação do biocarvão.
 
Para o diretor geral do campus de Toledo da Unioeste, José Dílson Silva de Oliveira, o projeto não traz dividendo apenas para a Unioeste. “Toda a população será beneficiada com a construção destes aparelhos através da geração de empregos, inclusive em Toledo. Com a aplicabilidade de projetos como esse, se percebe que a universidade está executando seu papel que além de ensinar, busca desenvolver pesquisas e projetos de extensão que irão se consolidar como benefícios para toda a comunidade”.
 
RESÍDUOS
 
Pesquisas apontaram que 69% do total de resíduos sólidos correspondem aos orgânicos, 23% aos recicláveis e apenas 8% aos rejeitos. “Em relação a Toledo, o valor médio de resíduos sólidos gerados pelo município é de 71,3 toneladas. Desse total, até 2010, apenas 2% eram separados por meio do Programa de Coleta Seletiva, ou seja, 98%, que equivalem a 70 toneladas, eram destinados para o aterro sanitário”, ressaltou Morejon.
 
Com base nos resultados das pesquisas foi possível afirmar que apenas 8% dos resíduos gerados deveriam ser destinados para os aterros sanitários. Ainda num aterro sanitário diferente do convencional. Isso porque a fração orgânica dos 69% que correspondem a 49 toneladas tem sua aplicação como matéria prima para a obtenção de produtos de valor agregado. Já os 23% de recicláveis - 16,4 toneladas - depois de separados nos centros de triagem também tem seus mercados garantidos, seja para a reciclagem ou para a industrialização.
 
A aplicação da tecnologia consegue realizar a transformação do resíduo orgânico em produtos de valor agregado viabilizando desta forma o empreendimento industrial. “Com a implantação do projeto, o aterro sanitário do município, passaria de um cenário de recepção de 70 toneladas para de 5,7 toneladas. Número que representa uma redução de 92%”, enalteceu o professor. 
 
SEPARAÇÃO
 
Mas para que a usina funcione é preciso de matéria prima. Um dos itens do projeto foi levantar possibilidades de separação dos resíduos sólidos orgânicos. Para isso existem três métodos: por meio da consciência ambiental, da utilização do rigor da lei ou com base no incentivo. Entre as medidas apresentadas, a mais viável é a aplicação do método de incentivar a separação e oferecer uma gratificação por isso.
 
Na prática, cada residência receberia um recipiente com volume proporcional a média de geração de resíduos, com o correspondente código de barras para controle do peso dos resíduos orgânico gerado na residência. No final do mês, a quantia separada se transformaria num crédito para a residência em questão.

Fonte: Jornal do Oeste – Cidade - 05/08/2012